IGREJA BATISTA UNIDADE MISSIONÁRIA

SOBRE NÓS REFLEXÕES CONTATO

Proteção
“Como um pássaro escapamos da armadilha do caçador; a armadilha foi quebrada, e nós escapamos.” ( Salmo 124:7)
O Salmo 124 é um cântico de peregrinação. O v.1 destaca “ Se o Senhor não estivesse do nosso lado...” Uma expressão repetida pelo povo enquanto caminhava. Apresenta, de forma poética, o que teria acontecido. Seriam engolidos vivos pelos inimigos (v2), teriam se afogado pelas tormentas das águas (v.5), dilacerados por dentes furiosos (v.6), presos como pássaros (v.7). Conclui afirmando que o “socorro está no nome do Senhor, que fez os céus e a terra.” (v.8). Uma das necessidades mais básicas da vida é a segurança, proteção. O lar (família) é, em tese, o ambiente mais seguro que uma pessoa - criança ou adulta - encontra. A sensação de proteção possibilita equilíbrio emocional e encorajamento. Do contrário, a sensação de insegurança e de impotência causa desiquilíbrio, pavor, desconfiança. Há muitas pessoas que vivem cercadas de ameaças, tais como: violência urbana, doméstica, pressões financeiras, doenças, medo do futuro, preocupações com filhos, desemprego, etc. No coração os mesmos assombros do salmista: a sensação de ser engolidos vivos, água até o pescoço, dentes furiosos ao redor, armadilhas. Embora tudo isso seja possível e real, mais próximo do que a gente imagina, vale lembrar que esse salmo é para reverberar na memória a misericórdia e socorro do Senhor! Ninguém está isento de acontecimentos ruins, mas o coração não precisa ser absorvido pelo pavor, pode ser confortado e encorajado pela esperança. Bom é olhar para trás e afirmar: “ Se o Senhor não estivesse do nosso lado...” Quantas situações superadas! Quantos medos vencidos! Sim, o Senhor esteve ao lado! Bom é olhar o presente e constatar que, mesmo nas mais turvas trevas, o socorro ainda vem do Senhor!

Claudinei Fernandes Paulino da Silva

Entre a alegria e o incômodo!

Lucas 19: 1-10

Zaqueu é um homem rico, chefe dos publicanos (judeus cobradores de impostos), morador da cidade de Jericó. Odiado pelo povo, pois o jugo romano e a pesada carga de impostos oprimem de forma cruel aquelas pessoas, sobretudo os mais pobres. Pra variar, nessa categoria há corrupção e alguns ganham muito dinheiro com isso, geralmente quem chefia as coletorias. Jesus está passando por ali! Zaqueu quer muito vê-lo, o que dá a impressão de um homem desejoso por uma nova vida. De alguma forma entende que Jesus pode lhe dar o que tanto almeja. Entretanto, enfrenta alguns obstáculos: sua pequena estatura em meio à multidão e sua condição como publicano. (v.3). Mas ele não desiste! Talvez pelo seu tino de negociante rapidamente sobe numa árvore (v.4), enxerga além, consegue ver Jesus. O que torna mais provocativo o texto é que Jesus, ao vê-lo, se oferece para ir à sua casa (v.5). “Zaqueu desceu rapidamente e o recebeu com alegria” (v.6). Faz-me lembrar da expressão utilizada por Juan Luis Segundo ao se referir a Jesus como o ‘profeta da alegria de Deus’. Por onde caminha a alegria de Deus se faz presente. Infelizmente nem todos conseguem se alegrar. Há os que optam pela queixa, pela murmuração, pelo ódio. “Todo o povo viu isso e começou a se queixar: ‘Ele se hospedou na casa de um pecador.” (v.7). Não é difícil, porém, entender aquela queixa, ser uma voz junto com o povo indignado, afinal, se trata de um corrupto, bandido, o desejo seria que Jesus passasse longe, aliás, que o condenasse! A postura de Zaqueu é de arrependimento, de alguém que realmente assume a proposta de Jesus. “Estou dando a metade de meus bens aos pobres; e se alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais.” (v.8). Ele não se justifica, não nega seus atos, não acusa ninguém, não se faz de vítima; pelo contrário, assume sua condição e restitui o que não é seu. A resposta de Jesus: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão.” (v.9). Salvação aqui é a libertação de alguém mergulhado na escravidão do dinheiro e do poder, em um sistema perverso e corrupto, injusto e cruel. É também a libertação da condição de excluído, pois Jesus o chama de ‘filho de Abraão’, algo inadmissível para aquelas pessoas, que os vê como pecador, traidor, perdido. Zaqueu não parece o único perdido, mas também aqueles cujo coração tem dificuldade com a misericórdia e graça do Senhor, aqueles que se incomodam com os lugares que Jesus frequenta. Por isso conclui afirmando: “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.” (v.10).

Claudinei Fernandes Paulino da Silva

O que te escandaliza?
“És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro?” ( Mateus 11:3) Essa pergunta é enviada por João Batista, que está na prisão. Ao que tudo indica ele ouve comentários sobre os feitos de Jesus, afinal sua fama se espalha. Parece gerar uma dúvida que o incomoda, o que é compreensível, pois sua vida toda fora dedicada na expectativa e anúncio da chegada do messias prometido. Em seu discurso (Mateus 3:12), João apresenta o messias como alguém que “chegaria chegando”, ajustando as contas, acabando com as injustiças, que viria julgar (recompensar e punir), colocar um ponto final no sofrimento e maldade presentes no povo.
Mas não é bem isso que tem ouvido falar sobre os feitos do messias (Jesus)! Isso o deixa com um ponto de interrogação no ar.
Como resposta à pergunta enviada, Jesus pede para que os discípulos de João voltem a anunciem a seguinte mensagem: “os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa.” ( Mt 11:5,6). A maneira de Jesus agir traz escândalo, até mesmo para João. Ele anda e toca em pessoas consideradas impuras, indignas, pecadoras. Caminha entre os doentes e pobres. Indica claramente que isso é parte de seu ministério, de sua vida, isto é, o messias está cumprindo seu propósito. Mesmo assim, Jesus honra a João Batista (Mt 11:7-11), entende sua dúvida e a esclarece de forma amorosa e didática aos seus discípulos (Mt 11:4,5).
A dúvida de João é fruto de um coração humano, de alguém que é preso e sentenciado injustamente, que se sente solitário, abandonado, impotente. De alguém que lá no fundo indaga se vale a pena tudo isso. Em certo sentido, quando nos sentimos assim, em meio ao caos, o desejo é de que Jesus aja com “sangue nos olhos”, que se vingue e acabe com todos os causadores da maldade, injustiça, imoralidade, enfim; daquilo que condenamos! Que Ele resolva e nos faça viver em plena paz, sem incômodos e preocupações! É tipo “ensinar o messias a ser messias”, afinal muita coisa escandaliza, assusta e incomoda.
Mas a ‘impressão’ é que o foco de Jesus continua sendo: “os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos são purificados, o surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres.” Talvez isso (compaixão e graça) “não seja” tão importante ou significativo, afinal os incômodos e preocupações continuarão. As palavras de Jesus parecem ainda ecoar: “Felizes os que não se escandalizam por minha causa” (Mt 11: 6). Que não nos escandalizemos por causa de Jesus!

Claudinei Fernandes Paulino da Silva
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